Categorias
blog SV HQ nacional Prêmio

Impressões sobre HQ Mix 2008

Saiu a lista dos 60 premiados no 20° HQ Mix, referente a material produzido em 2007. A lista completa você vê aqui, no site oficial do prêmio. A entrega será em São Paulo, nesta quarta, 23 de julho (veja mais abaixo os detalhes). Comento aqui os destaques entre os premiados.

Um dos troféus Grande Contribuição foi merecidamente para o 4° Mundo. Este coletivo de quadrinistas “militantes” agita o mercado independente de HQs: publica revistas impressas e material na Internet (tem muita coisa boa), marca presença em eventos, distribui manifesto… Eles comentaram sobre a premiação aqui. Saiba o que é o 4° Mundo acolá.

Uma das figuras que mais fazem barulho neste coletivo é Cadu Simões, que levou o prêmio de Roteirista Revelação. Confira o trabalho dele nos blogs do Homem-Grilo e Nova Hélade. Talvez mais do que as HQs, a mim me agrada muito o trabalho que ele desenvolve nos blogs e a disposição em melhorar nisso (conheci o figura rapidamente num evento para blogueiros participantes do Blogagem Inédita, evento capitaneado pelo blogueiro Edney Souza, que depois gerou o Blogueiro Repórter) . O roteirista escreveu aqui sobre o prêmio, com seu humor usual. O Desenhista Revelação, Jozz, autor do álbum O Circo de Lucca, também faz parte do 4° Mundo.

O jornalista Paulo Ramos abocanhou o prêmio de Articulista de Quadrinhos e Blog sobre Quadrinhos. Seu Blog dos Quadrinhos já tem mais de dois anos (primeiro post de 25/04/2006) e virou referência pro mercado.

Ainda na linha das notícias, o Universo HQ levou seu oitavo troféu de Site sobre Quadrinhos e a Mundo dos Super-Heróis levou o seu segundo de Publicação sobre Quadrinhos, consolidando definitivamente a revista como a principal publicação impressa do ramo na atualidade (batendo novamente a Wizmania – ex-Wizard Brasil – e filhotes).

Bacana também a premiação de Edição Especial Estrangeira para Persépolis Completo (Cia. das Letras, que corrigiu o erro de produzir os 4 volumes caros individualmente gerando um volume único mais barato) e Web Quadrinhos para o humor sarcástico de André Dahmer e seu Malvados (que já ganhou livro novo neste ano, pela Desiderata). E não podia deixar de ser: o prêmio de Livro Teórico foi para Desenhando Quadrinhos (de Scott McCloud).

Meu último destaque para o troféu de Animação, que foi para o filme Turma da Mônica – Uma Aventura no Tempo. É um incentivo bacana para a produção nacional de animação, que marca o retorno da turminha às telonas e principalmente por se tratar de uma história fechada longa, ao invés de simplesmente agrupar diversos curtas (como Maurício de Sousa já fez bastante no passado).

Pra quem quiser conferir a entrega de prêmios nesta quarta, 23 de julho, eis a programação:

Dia 23 de julho, às 19hs, no Sesc Pompéia
rua Clélia, 93 – Pompéia – São Paulo – SP
tel: (11) 3871-7700
Entrada Gratuita – ingressos na bilheteria meia hora antes do evento

19h – Exibição de vídeos:

  • Documentário Cláudio Seto
  • Clip Los Três Amigos
  • Quadrinhópole
  • Dossiê Rê Bordosa

20h – Entrega dos troféus, com apresentação de Serginho Groisman, show e acompanhamento da Banda JumboElektro/Cérebro Eletrônico e participação dos Parlapatões

Categorias
blog SV cinema

Hancock, Mutantes, os quadrinhos, as novelas e o cinema

Os quadrinhos estão cada vez mais conectados ao cinema. Homem de Ferro e O Incrível Hulk já deram as caras. Hellboy 2 – O Exército Dourado, Batman – O Cavaleiro das Trevas e Procurado vêm por aí… Mas o filme que mostra bem como funciona essa nova tendência Hollywoodiana é a comédia de ação Hancok, estrelado por Will Smith.

A produção tem algumas peculiaridades. Primeiro: apesar de tratar de um super herói, não é uma adaptação dos quadrinhos. Obviamente seu roteiro original bebe na fonte dos comics, mas brinca com alguns clichês, utiliza-se de outros e, acima de tudo, não carrega a responsabilidade de ser fiel a nada. Não espere grandes explicações, só o mínimo possível (o que torna o filme mais acessível ao público não versado em tramas super heroísticas). Mas as ações fazem sentido e o comportamento dos personagens condiz com o que aprendemos sobre eles (e isso já mostra mais do que muito filme blockbuster por aí, independente do gênero).

Hancock tem super poderes, voa bem rápido, é forte e, aparentemente, indestrutível. O único de sua espécie. Mas não é um herói. É um sujeito que vive bebendo solitariamente por aí e, eventualmente, tenta ajudar a deter criminosos. Só que acaba causando tanto estrago na cidade (numa perseguição, detona prédios, placas de trânsito e viaturas da polícia pelo caminho) que é mal visto pela população em geral.

Sua situação muda quando acaba salvando a vida de um relações públicas bem intencionado. Por gratidão e pela sua vontade de mudar o mundo, toma Hancock como seu projeto pessoal de remodelagem de imagem e comportamento. A premissa dá bastante pano pra manga e o filme traz algumas reviravoltas bacanas. O roteiro é simples, mas funcional. Will Smith está muito bem nesse tipo de papel que lhe cai com uma luva: o aventureiro engraçadinho, meio malandro.

Então é fato que a cultura pop quadrinística está se propagando. Já não é tão estranho discutir sobre super heróis, ou super poderes. Sim, representa um tipo de situação particular, mas já deixou de ser um prazer pra minorias. Aqui no Brasil temos um ótimo exemplo disso, com as telenovelas da Record que exploram a temática dos mutantes. É a forma de entretenimento mais difundida no país se rendendo à linguagem popularizada pelas HQs. Sim, ainda é bem forçado, os diálogos muitas vezes beiram o ridículo. Mas tem funcionado, tanto que a novela Mutantes deu seqüência à Caminhos do Coração mantendo a base de personagens, propagando a eterna luta entre o bem e o mal munido de super habilidades.

Já começa a ser possível pra nós, fãs de quadrinhos (e nerds em geral) discutir com o público comum sobre a qualidade de uma história pelo que ela apresenta: ela já não é mais prontamente rejeitada por apresentar uma temática bizarra de mutação, transformações e superpoderes. Não sei você, mas eu tenho esperado há um bom tempo pra isso acontecer.

E se você gosta de filmes de ação com um pouco de graça (ou de comédia com muita ação), fica a dica pra conferir Hancock, uma boa história que, por acaso, trata de um super herói desajustado.

Se você quiser conhecer cenas do filme Hancock, clique aqui e veja trailers e mais um monte de material sobre o filme. Também existe uma campanha viral em português, clique aqui e veja.

Pra saber mais sobre Os Mutantes da Record, dê um pulo no site oficial.

PS: Gostei do filme do Homem de Ferro, mas não é do nível de X-Men 1, como ouvi por aí. De todo modo, Robert Downey Jr. está muito bem como o herói. O Hulk melhorou em relação à versão do diretor Ang Lee, a ação é melhor dosada ao longo do filme e as idéias fazem mais sentido, embora o roteiro ainda seja meio capenga. Edward Norton como Banner é um ator bem melhor do que Eric Bana (da versão anterior). Porém, na comparação, perde para o desempenho do Downey Jr. E a Liv Tyler definitivamente não é páreo para a Jennifer Connely, atriz que fez a Betty Ross, namorada do Banner na primeira versão cinematográfica.

Parte da graça dos dois filmes está nas pequenas referências feitas ao universo das HQs dos próprios heróis e as pontas soltas já prevendo que vêm aí o filme dos Vingadores, unindo todo tipo de herói da Marvel possível (mais precisamente: Homem de Ferro, Capitão América, Hulk, Thor e Homem Formiga – quem não teve filme ainda terá nos próximos anos, antes da estréia da produção do super grupo).

Categorias
blog SV HQ nacional Itaú Cultural

Quadrinhos de Júlio Brilha na revista Continuum Itaú Cultural (grátis) – Atualizado

A edição de julho da revista Continuum Itaú Cultural abre espaço para uma HQ do quadrinista Júlio Brilha. História³ é a contribuição do autor para este número, que traz uma abordagem poética do tema “emergência” (mesmo tema da exposição que abre no Itaú Cultural para público nesta quarta, emoção art.ficial 4.0 – leia mais clicando aqui).

Foi uma experiência interessante” – diz Brilha. “Prazer puro. Principalmente por poder trabalhar o tema simples e complexo de uma forma mais pessoal, fugindo de soluções já adotadas por outros autores, um bom exemplo seria Alan Moore – que já produziu verdadeiras pérolas sob esse prisma”.

Com tiragem de 10 mil exemplares, a publicação sobre arte e cultura já está sendo distribuída gratuitamente pelo instituto em sua sede (av. Paulista, 149 – São Paulo – SP), além de disponibilizada para download gratuito em seu site. Pra ler só a HQ, veja diretamente em PDF aqui.

Foi legal estar envolvido no projeto. O pessoal da revista me procurou com a idéia de incluir uma HQ na edição – e, o mais bacana, com status de artigo. Eu estava envolvido com a produção do evento Redes da Criação, então só pude contribuir com algumas conversas, sugestões de idéias, encaminhamento e também de alguns possíveis autores. Bacana que escolheram o Júlio que, além de talentoso, é um amigo antigo.

Bom que ele gostou também, e pôde botar um toque bem pessoal na HQ. “Particularmente, tenho uma forte ligação emocional com a personagem que é dona do Sebo” – conta o quadrinista. “Tal fato mostra que sou suspeito para fazer qualquer tipo de comentário sobre a história”.

Então leia a revista, lei a HQ. Gostou? Não gostou? Quer ver mais quadrinhos na Continuum? Então mande sua opinião lá pra redação, pelo e-mail atendimento@itaucultural.org.br .

E se gostou desta notícia, vote nela no diHITT.